AUTOR: NENEZIO
Quando eu nasci meus pais moravam numa casa velha com um quintal grande de terra e matagal, com um barraco nos fundos.
A casa era meio sinistra, seria um bom lugar para filmagens daqueles programas que passam hoje em dia nos canais a cabo sobre fantasmas e coisas sobrenaturais, até o barraco tinha uma aura meio sinistra.
Por meu pai ser alcoólatra e violento e a casa também não me passar uma boa impressão vivi minha infância toda com medo.
Com aquela energia ruim, negativa, parecia que sempre tinha alguma coisa me sufocando, e que precisava me livrar dessa casa para me libertar dessa agonia.
Como o meu quarto tinha o piso de taco ouvia sempre passos à noite, e às vezes correntes se arrastando.
Odiava quando chegava à noite porque era a hora que meu pai voltava pra casa e também pelos barulhos que eu escutava a noite.
Quando fechava os olhos via às vezes vários rostos que pareciam estar sofrendo bem perto do meu rosto e também algumas noites acordava com algum ser estranho em cima de mim parecendo querer me fazer algum mal, mas aí eu via que estava no meio de um sonho lúcido que parecia real.
Quando acordava realmente tudo estava normal, e o ser parecia dissolver-se como névoa.
No começo dormia sempre com a luz acesa e minha mãe ficava esperando eu dormir para apagar.
Com o tempo passei a dormir com a luz apagada, mas podia estar um calor insuportável que eu dormia sempre com a cabeça coberta, mesmo suando não descobria de pavor.
A janela por ser velha e de madeira faltava um pedaço e ficava sempre à noite com pavor pelo buraco na janela com a impressão de que sempre tinha alguém olhando por ele.
Dormia numa cama de casal e minha irmã dormia junto comigo, como ela já era adulta acabou se casando na época, fiquei dormindo sozinho.
Meu medo foi aumentado agora que estava só. Numa certa noite como o calor era muito forte resolvi descobrir a cabeça por não estar aquentando mais.
Quando vi um vulto bem do lado da cama, apavorado cobri a cabeça e fiquei naquela posição algum tempo.
Meu coração disparou tanto que parecia que não ia mais voltar ao normal, minha cama ficou toda molhada de tanto suor pelo calor e pelo pavor por ter visto o vulto.
De repente ouvi a porta do quarto, mesmo apavorado resolvi olhar, a porta estava meio aberta, e todos da casa estavam dormindo.
No dia seguinte contei para meu irmão e desenhei mais ou menos pra ele a aparição que eu tinha visto.
Era uma criatura meio redonda com uma cabeça pequena e com uma gola grande levantada parecia mais as golas das roupas dos vampiros dos filmes.
Os piores momentos da minha vida passei naquela casa, com aparições e barulhos que davam uma sensação ruim, e mortes também.
Agora sou um adulto, morando em outra casa e toda aquela energia ruim que eu sentia parece que ficou por lá, agora sou uma pessoa feliz.
Por ter passado isso na infância quando fui ficando mais velho passei a me interessar por assuntos relacionados a coisas sobrenaturais e também espirituais, apesar de que ainda vejo aparições.
Não sei se é porque leio muito sobre o assunto e por ser uma pessoa muito espiritual agora, as aparições e vultos ruins parece que desapareceram, os de agora não dão mais medo, e me passam uma energia muito boa.
A casa da minha infância não existe mais, foi demolida logo que mudamos e outra foi construída no local, mas mesmo assim meu passado ainda me atormenta e quer me dominar novamente.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Conto veridico-INFANCIA
Postado por Nenezio às 00:18
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